O Baile da Ilha Fiscal, realizado no dia 9 de novembro de 1889 pelo
imperador Dom Pedro II, marcou a transição do Império para a República.
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| Convite do Baile |
Justificativa secreta do Baile
O real objetivo do evento, que funcionou às avessas, era
tentar revigorar a imagem do Império na opinião pública e sensibilizar a
nobreza empobrecida pela abolição da escravatura para a preservação da
Monarquia.
Vestimenta das Mulheres
As roupas das mulheres eram adquiridas nas lojas sofisticadas da Rua do
Ouvidor, no centro do Rio. Os cabelos, penteados por cabeleireiros franceses da
Casa A Dama Elegante, no mesmo endereço.
Já os homens abusavam das brilhantinas inglesas da Fritz Marck and Co.
nos cabelos e nos bigodes.
Apenas os homens da Corte e os militares tinham acesso aos barbeiros
especializados em cortar bigodes à titlé (garoto esperto), chicard (chique),
grognards (soldados da Guarda Napoleônica) e rostillon (cocheiro de carruagens
de gala).
Escândalo
A imprensa dividiu-se em seus relatos.
As
peças íntimas que foram encontradas na ilha após a festa, foram motivo
de escândalo quando noticiados pelos colunistas das revistas femininas
do século XIX, entre essas revistas, a “Eu Sei Tudo” (Bem do tipo Revista Caras) revelava que:
"a Coroa não era tão casta como pressupunham os seus súditos".
O jornal Tribuna Liberal, na sua edição de 10 de novembro de 1889, falou do:
"brilho e o ruge-ruge das sedas, os colos salpicados de brilhantes, safiras, esmeraldas e os diademas rutilantes dos penteados".
O colunista Desmoulins, do Correio do Povo,
por sua vez, citou o mau gosto a que se entregaram muitos dos
convidados. Criticou ainda os homens que, no salão, mantinham seus
chapéus ingleses do Wellicamp e do Palais Royal enfiados na cabeça.
O cronista social da Gazeta de Notícias
descreveu com detalhes 74 trajes das damas presentes, numa edição que
bateu recordes de espaço e de tiragem.
Cardápio do Jantar
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| Capa do Cardápio |
O jornal publicou também uma descrição
detalhada da ceia, anunciada em um menu de 12 páginas, guarnecido com as
cores das bandeiras brasileira e do Chile:
"Nada
menos que 11 pratos quentes, 15 pratos frios,12 tipos de sobremesas, 4
qualidades de champagne, 23 espécies de vinhos e 6 de licores, num total
de 304 caixas destas bebidas e mais dez mil litros de cerveja. Os
números da maior comilança de que o país tem notícia relacionam para o
preparo de todas essas receitas, o consumo de nada menos que 18 pavões,
25 cabeças de porco, 64 faisões, 300 peças de presunto, 500 perus, 800
quilos de camarão, 800 latas de trufas, 1200 latas de aspargos, 1300
galinhas, além de 50 tipos de saladas com maionese, 2900 pratos de doces
variados, 12 mil taças de sorvete, 18 mil frutas e 20 mil sanduíches".
E o cronista dedicou um espaço especial para as bebidas:
"Das 304 caixas de bebidas, 258 eram de vinhos e champagnes.
Ou
seja: naquela noite, foram consumidas 3.096 garrafas desses
maravilhosos fermentados, que compunham uma bateria de 39 rótulos
diferentes, com destaque para Porto de 1834 - uma safra preciosíssima -
Madeira, Tokay, Château D’Yquem, Château Lafite, Château Leoville,
Château Beycheville, Château Pontet-Canet e Margaux.
A presença marcante do italiano Falerno, nas versões branco e tinto, era uma deferência à imperatriz.
Os champagnes não podiam ser melhores:
“Cristal de Louis Roederer, Veuve Cliquot Ponsardin e Heidsieck”.
Dentre os vinhos alemães, destacavam-se o “Liebfraumilch e o famoso Johannisberg do Reno".
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| Cardapio de Vinhos |
A Critica dos Republicanos
O luxo e as extravagâncias que cercaram o desembarque do couraçado Almirante Cochrane, dando lugar a um período denominado "Festas Chilenas", incentivou a propagação dos ideais republicanos.
A proclamação da República, no entanto, não
significou o fim das festividades em torno da tripulação do couraçado
Almirante Cochrane.
Os republicanos
aproveitaram para brindar com os chilenos o fim do Império, chegando até
a afirmar que o fato de o Chile ser uma República foi um estímulo à sua
proclamação."